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Sunday, September 21, 2003
Ostara

OstaraO Sabbat do Equinócio da Primavera
 

Primeiro dia da primavera (Equinócio da Primavera). Em 2003, no Hemisfério Sul, ocorre no dia 23 de Setembro, à 04h47min.

O Sabbat do Equinócio da Primavera, também conhecido como Sabbat do Equinócio Vernal, Festival das Árvores, Alban Eilir, Ostara e Rito de Eostre, é o rito de fertilidade que celebra o nascimento da Primavera e o redespertar da vida na Terra. Nesse dia sagrado, os Bruxos acendem fogueiras novas ao nascer do sol, se rejubilam, tocam sinos e decoram ovos cozidos - um antigo costume pagão associado à Deusa da Fertilidade.

Os ovos, que obviamente são símbolos da fertilidade e da reprodução, eram usados nos antigos ritos da fertilidade. Pintados com vários símbolos mágicos, eram lançados ao fogo ou enterrados como oferendas à Deusa. Em certas partes do mundo pintavam-se os ovos do Equinócio da Primavera de amarelo ou dourado (cores solares sagradas), utilizando-os em rituais para honrar o Deus Sol.

Os aspectos da Deusa invocados nesse Sabbat são Eostre (a deusa saxônica da fertilidade) e Ostara (a deusa alemã da fertilidade). Em algumas tradições wiccanianas, as deidades da fertilidade adoradas nesse dia são a Deusa das Plantas e o Senhor das Matas.

Como a maioria dos antigos festivais pagãos, o Equinócio da Primavera foi cristianizado pela Igreja na Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa (em inglês "Easter", nome derivado da deidade saxônica da fertilidade, Eostre) só recebeu oficialmente esse nome da Deusa após o fim da Idade Média.

Até hoje, o Domingo de Páscoa é determinado pelo antigo sistema do calendário lunar, que estabelece o dia santo no primeiro domingo após a primeira lua cheia, no ou após o Equinócio da Primavera. (Formalmente isso marca a fase da "gravidez" da Deusa Tríplice, atravessando a estação fértil.) A Páscoa, como quase todas as festividades religiosas cristãs, é enriquecida com inúmeras características, costumes e tradições pagãos, como os ovos de Páscoa e o coelho. Os ovos, como mencionado, eram símbolos antigos de fertilidade oferecidos à deusa dos Pagãos. A lebre era um símbolo de renascimento e ressurreição, sendo animal sagrado para várias deusas lunares, tanto na cultura oriental como na ocidental, incluindo a deusa Ostara, cujo animal era o coelho.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Equinócio da Primavera são os ovos cozidos, os bolos de mel, as primeiras frutas da estação em ponche de leite. Na Suécia, os "waffles" eram o prato tradicional da época.

Incensos: violeta africana, jasmim, rosa sálvia e morango.
Cores das velas: dourada, verde, amarela.
Pedras preciosas sagradas: ametista, água-marinha, hematita, jaspe vermelho.
Ervas ritualísticas tradicionais: bolota, quelidônia, cinco-folhas, crocus, narciso, corniso, lírio-da-páscoa, madressilva, íris, jasmim, rosa, morango, atanásia e violetas.

Ritual do Sabbat Ostara

Comece marcando um círculo de 3m de diâmetro, usando giz ou tinta branca. Monte um altar no centro do círculo, voltado para o norte. Coloque uma vela da cor apropriada do Sabbat no centro do altar. À direita (leste), coloque um incensório com o incenso apropriado do Sabbat ou um turíbulo contendo pedaços de carvão aquecidos, sobre o qual a sálvia será queimada. À esquerda (oeste) da vela, coloque uma tigela com ovos cozidos decorados com runas, desenhos de fertilidade e outros símbolos mágicos.

Diante da vela (sul), coloque um punhal e uma espada cerimonial consagrados. Após salpicar um pouco de sal sobre o círculo para purificá-lo, pegue a espada cerimonial e trace o círculo em movimento destrógiro, começando no leste. Enquanto traça, diga: ABENÇOADO SEJA ESTE CÍRCULO DO SABBAT SOB O NOME DIVINO DE OSTARA, ANTIGA DEUSA DA FERTILIDADE E DA PRIMAVERA. SOB SEU SAGRADO NOME E SOB A SUA PROTEÇÃO ESTE RITUAL DE SABBAT AGORA SE INICIA.

Coloque a espada de volta no altar e, então, acenda a vela e o incenso. Pegue o punhal com a mão direita e ajoelhe-se diante do altar com a lâmina sobre o coração, dizendo: ABENÇOADA SEJA A DEUSA DA FERTILIDADE, ABENÇOADO SEJA O SEU RITUAL DA ÉPOCA DA PRIMAVERA. ABENÇOADO SEJA O REI-DEUS SOL, ABENÇOADA SEJA A SUA LUZ SAGRADA.

Coloque a lâmina da espada sobre a região do Terceiro Olho em sua testa e diga: O SOL CRUZOU O EQUADOR CELESTE, TRAZENDO O SOL E A LUA COM A MESMA DURAÇÃO DE HORAS. FINALMENTE A DEUSA DA PRIMAVERA RENASCEU, A SUA BELEZA DÁ VIDA ÀS ÁRVORES E ÀS FLORES. ABENÇOADA SEJA A DIVINA DEUSA DAS MATAS. ELA É A CRIADORA DE TODAS AS COISAS VIVAS. ABENÇOADO SEJA O SENHOR DAS MATAS. EU CANTO ESTA CANÇÃO PARA A DEUSA E PARA O DEUS. DESPERTEM, DESPERTEM TODOS E OUÇAM A VOZ DO CHAMADO DA DEUSA. ABENÇOADA SEJA A NOSSA MÃE TERRA, QUE ELA SEJA PREENCHIDA COM PAZ, MAGIA E AMOR. A DEUSA RESPIRA A VIDA. A DEUSA DÁ A VIDA. A DEUSA É A VIDA. ELA REINA SUPREMA. ASSIM SEJA!

Encerre o ritual apagando a vela e desfazendo o círculo com a espada cerimonial em movimento levógiro. Os ovos podem ser comidos como parte do banquete do Sabbat do Equinócio da Primavera, e jogam-se conchas numa fogueira ao ar livre ou enterram-nas no chão como oferenda à Mãe Terra.

Fonte: 'Wicca - A Feitiçaria Moderna', de Gerina Dunwich.


Posted at 12:32 pm by PataLogica
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Tuesday, September 16, 2003
O Livro dos Mortos

Para os antigos egípcios, a ligação entre a vida e a vida após a morte era muito importante. Eles acreditavam que, após a morte, a alma das pessoas viajava para longe do corpo mumificado, para um vasto mundo do além, cheio de desafios e perigos.  

O supremo desafio aguardava-a no Salão das Duas Verdades. Ali, seu coração era testado e pesado por Osíris, deus do mundo dos mortos, na presença de quarenta e dois "deuses assessores". Para passar no teste, a pessoa morta precisava recitar uma lista de confissões. 
   
O coração da pessoa morta, ao ser pesado, tinha que ser mais leve que a Pena da Verdade. Se o morto vencesse o teste, tinha permissão de passar a eternidade em terras à margem de um rio, pescando e caçando num mundo bastante semelhante ao Egito.  

Se falhasse, seu coração era comido por um crocodilo-monstro, o "devorador dos mortos". Grande parte do que era registrado no Livro dos Mortos refletia as crenças morais comuns da época. 
   
Para guiar a alma quando estava longe do corpo, os egípcios reuniam orações, desenhos e encantos mágicos num Livro dos Mortos. Esses livros eram escritos em papiro ou em couro, encerrados numa caixa decorada com uma imagem de Osíris e enterrados no sarcófago ou colocados entre os panos que envolviam as múmias antes do enterro. Os arqueólogos encontraram centenas desses manuscritos, cada um ligeiramente diferente do outro. 

Cada Livro dos Mortos apresentava uma variedade de conselhos úteis, necessários ao bem-estar no além. Estes incluíam como escapar das redes de pesca, como matar crocodilos, como espantar gafanhotos e como ter uma consciência limpa. 

Fonte: Egito.net


Posted at 08:12 pm by PataLogica
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As Musas

Nove deusas e filhas de Zeus e de Mnemósina, a deusa da memória. As Musas presidiam as artes e as ciências e acreditava-se que inspiravam todos os artistas, especialmente poetas, filósofos e músicos. Calíope era a musa da poesia épica, Clio da história, Euterpe da poesia lírica, Melpômene da tragédia, Terpsícore das canções de coral e da dança, Erato da poesia romântica, Polímnia da poesia sagrada, Urânia da astronomia, e Tália da comédia. Eram as companheiras das Graças e de Apolo, o deus da música. Sentavam-se próximas ao trono de Zeus, rei dos deuses, e cantavam sobre sua grandiosidade, a origem do mundo, seus habitantes e os feitos gloriosos dos grandes heróis. As Musas eram adoradas por todo a Grécia antiga, especialmente em Helicon, na Beócia e em Pieria, na Macedônia.

Posted at 08:08 pm by PataLogica
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As Graças ou Cárites

Graças (ou Cárites), o três deusas da alegria, charme e beleza. As filhas de Zeus e da ninfa Eurínome. Chamavam-se Aglaia (o Esplendor), Eufrosina (a Alegria) e Tália (a Floração). As Graças presidiam sobre os banquetes, danças e todos os outros eventos sociais agradáveis, trazendo alegria e boa vontade tanto para os deuses quanto para os mortais. Eram as auxiliares especiais das divindades do amor, Afrodite e Eros, e junto com as Musas, cantavam aos deuses no Monte Olimpo, dançado linda músicas que Apolo produzia em sua lira.

Em algumas lendas Aglaia casou-se com Efaístos, o artesão dos deuses. Seu casamento explica a tradicional associação das Graças com as artes; como as Musas, acreditava-se que elas davam o dom aos artistas e poetas para a criação de lindos trabalhos de arte. As Graças raramente eram tratadas como indivíduos, mas sempre como uma espécie de encarnação tripla de graça e beleza. Na arte elas normalmente são representados como jovens virgens dançando num círculo.

Fonte: Site


Posted at 08:07 pm by PataLogica
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Monday, September 15, 2003
As Cinco Faces da Deusa

Avalon
Em Avalon existiam cinco faces da Deusa com que as sacerdotisas trabalhavam, embora várias delas continuaram a venerar as Deusas de suas terras junto com essas cinco Matronas. Nós achamos vestígios delas nos registros escritos posteriores dos celtas e por causa de muitas das lendas terem sido escritas depois da Nova religião ter se firmado e tomado conta da Grã-Bretanha, devemos olhar além das antigas verdades ocultas nelas.
De fontes como o Mabinogion e os poemas de Taliesin, damos início a nossa busca pelas Deusas de Avalon...
Vir a conhecê-las é um processo para toda a vida - essa resumida compilação visa servir como introdução à informação não está de maneira nenhuma completa, mas serviria como um indicador para direcionar o estudante em seu caminho.

Blodeuwedd 

"Nove poderes de nove flores,
Nove poderes em mim combinados;
Nove botões de plantas e árvores...
Longos e brancos são meus dedos,
Como a nona onda do mar."
Hanes Taliesin

Blodeuwedd é a Deusa virgem galesa, reverenciada em Avalon como a Deusa dos novos começos, independência e capacidade. A história que o patriarcado tem para contar de Blo-deuwedd pode ser achada no trecho do Mabinogion chamado de Math, son of Mathonwy (Math, filho de Mathonwy).
Ela é feita de nove flores pelos grandes magos Math e Gwydion, para ser a noiva de Llew, o Deus Sol Gales. Ela escolhe outro amante, que tenta assassinar seu marido, mas Liew, porém, se transformou em uma águia. Llew foi encontrado e trazido de volta a sua forma original por Gwydi-on, que transformou Blodeuwedd em uma coruja como punição. Existem muito mais nessa história do que os olhos podem ver...observe além do que está escrito e verás a verdade.
O nome Blodeuwedd significa "Rosto de Flor", que se refere a suas origens nas flores, assim como sua associação com a coruja...que no País de Gales, ainda traz seu nome: Blodeuwedd.

Arianrhod

A Deusa Arianrhod, é uma das faces da Deusa Mãe em Avalon. Ela era a mãe de Llew (Deus Sol Gales) e Dylan (Deus do Mar). Seu nome literalmente significa "Roda Prateada", e sua morada, Caer Arianrhod, nada mais é do que a Via Láctea.
Ela é retratada em Math, son of Manthonwy, e novamente devemos olhar além do que sua len-da conta.
Ela é chamada a corte de Math por seu irmão Gwydion, é convocada a ser "Math's Footholder" (algo como: A que segurava o pé de Math, isso é estranho mesmo). Para realizar essa tarefa, ela deveria provar sua virgindade, pois Math, exceto durante a guerra, poderia viver se mantivesse seus pés no ventre de uma virgem. Pede-se que ela pise na varinha de Gwydion para verificar se ela de fato era virgem. Ela pisa sobre a varinha, e imediatamente da á luz a seus dois filhos. Dylan rasteja-se e escapa para o mar, enquanto a outra criança é capturada por Gwydion. A furiosa Arianrhod jura a seu irmão que a criança em seus braços nunca terá um nome, nunca empunhará uma espada e nunca possuirá uma mulher da Terra e que essas coisas só poderiam ser concedidas pela mãe da criança.
Com o passar do tempo, através de mentiras, Gwydion consegue enganar Arianrhod, e da um nome e arma á seu filho, mas apenas com a criação de Blodeuwedd que o jovem Llew pode ter uma esposa.
Arianrhod é a representação da Mãe que é sempre virgem... aquela que dá à luz, ainda que não pertença a homem algum. De seu trono astral, ela coloca tarefas a nossa frente enquanto a Roda da nossa vida vai girando...

Rhiannon

"E os pássaros de Rhiannon...
Cantavam para Eles do outro mundo,
Trazendo a eles a alegria..."

O Mabinogion

A Deusa Rhiannon, A Grande Rainha, é outra face da mãe. Ela é a égua branca, a rainha do outro mundo, cujos pássaros poderiam confortar as almas dos mais perturbados mortais. Ela é a mãe educadora, devota a seus filhos, que amavelmente nos ensina que devemos aprender as lições a nossa frente.
Rhiannon aparece em dois trechos do Mabinogion, Pwyll, Prince of Dyfed (príncipe de Dyfed) e Manawyddan, son of Llyr (Mnawyddan, filho de Llyr).
Como é dito nessas histórias, ela entende miséria e dor, separação e perda, mas sempre embora ela tenha sido enganada, seu amor era implacável, e sua dignidade inabalável. Conhecida também como Épona pelos gauleses, e Macha para os irlandeses (Tanto Épona como Macha, assim como a própria Rhiannon são associadas com cavalos).
Essa querida Deusa é a Grande Rainha Mãe dos Celtas.

Cerridwen

"Eu obtive minha inspiração,
Do caldeirão de Cerridwen."
Hanes Taliesin

Cerridwen, a porca branca (as comparações aos animais não tem de maneira alguma uma finalidade ofensiva), é reverenciada em Avalon como a Deusa Anciã. Ela é a escuridão da Lua, cujo caldeirão devemos adentrar para renascer. Ela é a lavadeira no rio, a feiticeira, a Cailleach, aqueles que não a entendem, temem-na (ainda que o grande Bardo Taliesin recebeu seu dom, entretanto, em um período de testes desse aspecto da Deusa).
Certa vez, um jovem servo chamado Gwion roubou três gotas de uma poção que Cerridwen estava preparando para seu filho Avagdu. Com essa poção, obtinha-se todo o conhecimento, e sabendo que ela iria puni-lo, ele fugiu da furiosa Deusa.
Uma perseguição repleta de mudanças de forma teve inicio, até que finalmente Gwion, na forma de um grão, se escondeu no chão na dispensa. Cerridwen transformou-se em uma galinha e comeu o grão consumindo por sua vez Gwion. Nove meses depois, Taliesin, o Bardo, emergiu de seu útero, e Ela jogou-o no mar em Samhain, onde ele foi encontrado numa rede de pescar.

Branwen

"E Ela foi uma das três Matriarcais nessa ilha linda donzela no mundo Ela era!"

O Mabinigion

A Incrível Branwen, a personificação da soberana, e a Deusa Suprema de Avalon. Apesar de haver um capítulo inteiro do Mabinogion que carrega seu nome, Brawen (filha de Llyr) o único capítulo nomeado para uma mulher, a história apenas mostra a importância e o domínio dessa Deusa.
Significado - Corvo Branco, a irmã de Bran, o abençoado (Bran the Blessed).
Se torna Rainha da Irlanda e é extremamente maltratada por seu marido. Enviando estorninhos (se não me falha a memória é uma espécie de pássaro), que ela mesma treinou, chama seu irmão, que era Rei da Ilha da Grã-Bretanha, para socorrê-la. Depois das batalhas do aparecimento do Caldeirão da Abundância, que restaura a vida, e a decapitação de seu irmão, Branwen retorna para a Bretanha onde Ela morre de tristeza por tanta morte e destruição.
Ela é muito preocupada com a prosperidade de seu Reino, e é uma Deusa muito profunda e complexa.

Essas cinco Deusas são muito mais do que os escritores dizem delas. Quando suas lendas foram finalmente traduzidas, elas já tinham sido reduzidas em tamanho. Não eram mais Deusas, mas sim mulheres mortais, rainhas, criações de magos, e pertencentes ao folclore das fadas.
O patriarcado não foi bondoso com elas também, pois suas histórias são contadas mais em relação aos homens em suas vidas.
Procure pelo que está escrito, mas olhe além das palavras. Esses são os símbolos a serem explorados, atributos a serem compreendidos, e se você pesquisar profundamente... as Deusas por Elas mesmas irão revelar suas verdadeiras histórias para você...

Outras Deusas que possuem relações com Avalon são:
Brigit, Anu, Danu, Morgan, e outras incontáveis Deusas locais trazidas a Ilha pelas mulheres que eram treinadas como sacerdotisas. Existem aqueles que dizem que as mulheres eram trazidas de todas as ilhas britânicas, das terras Célticas continentais, e até de lugares distantes como Grécia para estudar em Avalon. Seguramente, elas traziam suas tradições locais para a Ilha.
É conhecido por nós então que essas cinco: Blodeuwedd, Arianrhod, Rhiannon, Cerridwen e Branwen, são as guardiãs da Ilha Sagrada de Avalon.

Fonte: O Livro da Deusa


Posted at 08:01 pm by PataLogica
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Hécate

Deusa da escuridão, a filha do Titã Pérses e Astéria. Diferente de Ártemis, que representava o luar e o esplendor da noite, Hécate representava a sua escuridão e seus terrores. Em noites sem luar, acreditava-se que ela vagava pela terra com uma matilha de uivantes lobos fantasmas. Era a deusa da feitiçaria e era especialmente adorada por mágicos e feiticeiras, que sacrificavam cães e cordeiros negros a ela.
Como deusa da encruzilhada, acreditava-se que Hécate e seu bando de cães assombravam lugares lúgubres que pareciam sinistros aos viajantes. Na arte, Hécate era freqüentemente representada tanto com três corpos ou três cabeças e com serpentes em torno de seu pescoço.


Posted at 07:55 pm by PataLogica
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Wednesday, September 10, 2003
Rômulo e Remo

A história dos gêmeos Romulus e Remus, cuja representação é recorrente na arte romana, constitui um dos mais antigos temas míticos latinos. Romulus e Remus, segundo a lenda, foram os fundadores de Roma. A tradição conta que o usurpador Amulius, após derrubar seu irmão Numitor do trono de Alba Longa, obrigou Réia Sílvia, filha de Numitor, a converter-se em virgem vestal para que não gerasse descendência do antigo rei. A jovem, no entanto, concebeu os gêmeos Romulus e Remus de sua união com o deus Marte. Amulius ordenou que os meninos fossem atirados ao rio Tibre, mas o berço em que se encontravam encalhou junto ao Ficus ruminalis, uma figueira sagrada do monte Palatino. Durante algum tempo, os gêmeos foram alimentados por uma loba, animal sagrado para os romanos. O pastor Faustulus os encontrou e, com sua esposa Aca Laurência, os educou. Anos depois, tornados jovens fortes e corajosos, os irmãos mataram Amulius e restituíram o avô ao trono. Decidiram então erigir uma cidade no local onde haviam sido salvos, mas esperaram que os presságios lhes indicassem quem seria o rei. Romulus foi o eleito e quando Remus, despeitado, tentou pisar no local sagrado delimitado pelo irmão - o que era considerado um sacrilégio - foi por este morto com uma lança. Decidido a povoar a nova cidade de Roma, à qual deu seu nome, Romulus nela acolheu exilados e refugiados. Também raptou as mulheres de povos vizinhos, entre eles os poderosos sabinos, com os quais fez uma aliança e passou a dividir o trono com seu rei, Titus Tacius. Após a morte de Tacius, Romulus reinou sozinho até sua misteriosa desaparição numa tormenta e foi divinizado com o nome de Quirino. A história, originada possivelmente em princípios do século IV a.C. e consolidada em sua forma definitiva cerca de duzentos anos depois, tinha o objetivo fundamental de associar a fundação de Roma com uma divindade, no caso Marte, deus da guerra e protetor das legiões romanas. Parece provável, entretanto, que nela se encontrem representados miticamente fatos reais sobre a fundação da cidade, como as lutas entre povos rivais. Relatos semelhantes são freqüentes na mitologia grega e constituíram o modelo da lenda de Romulus e Remus.

Fonte: Nomismatike

A Fundação de Roma

Provavelmente os romanos criaram essa lenda para enaltecer a origem de sua civilização, envolvendo deuses e nobres. Enéias, um príncipe troiano, filho de um mortal (rei de Tróia) e da Deusa Vênus, fugiu de sua cidade durante uma batalha. Acompanhado de alguns homens seguiu para a península itálica, onde seu filho Ascânio iniciou uma nova cidade chamada Alba Longa. Numitor e Amúlio, descendentes de Enéias, estão presentes no relato da lendária fundação de Roma.

"Silvio Procas, duodécimo rei de Alba-a-Longa, ao morrer, deixou dois filhos. O mais moço, Amulio, apoderou-se do trono em prejuízo de Numitor, seu irmão mais velho. Para garantir o reinado de seus descendentes, matou Lauso, filho de Numitor, numa caçada, e obrigou sua sobrinha, Rea Sílvia, a fazer um voto de castidade.

Contudo, o deus Marte tornou Rea Sílvia mãe de dois gêmeos, Rômulo e Remo. Quando Amulio soube disso, prendeu a vestal e mandou colocar os dois recém-nascidos numa cesta para que fossem lançados no rio Tibre.

As águas do rio secaram imediatamente e as crianças ficaram abandonadas num local selvagem. Uma loba que acabara de perder seus filhos ouviu os vagidos de Rômulo e Remo e lhes deu de mamar com todo cuidado de mãe.
 
Um pastor da vizinhança chamado Faustolo, ao perceber as idas e vindas da loba, seguiu-a e descobriu as crianças, levando-as para sua cabana, onde sua mulher os criou.

Os dois irmãos cresceram entre os pastores, percorrendo bosques e montanhas, entregando-se à caça e lutando com ladrões de gado. Ora, um dia Remo foi capturado e levado à presença do rei Amulio, acusado de devastar os rebanhos de Numitor.

Amulio mandou o prisioneiro para Numitor, que hesitou em matá-lo por achá-lo muito parecido com sua filha Rea Sílvia.

Diante disso, Faustolo resolveu contar a Rômulo a história de sua origem. Rômulo se dirigiu a Alba, libertou o irmão, matou o rei Amulio e restabeleceu o trono a seu avô Numitor.

Pouco tempo depois, Rômulo e Remo fundaram uma cidade no local em que haviam sido descobertos pelo pastor, traçando sulcos que marcavam seus limites. Rômulo proibiu solenemente a transposição dessas muralhas. Remo zombou da proibição e saltou por cima do fosso. Rômulo, furioso, matou-o imediatamente.

Assassino de seu irmão, mas ambicioso em seus projetos, Rômulo começou a povoar a cidade com pastores, bandidos, escravos fugitivos e aventureiros. Como não havia mulheres, Rômulo fez anunciar uma grande festa com jogos extraordinários. Os sabinos dirigiram-se para lá com suas mulheres e filhos. Durante a festa, os companheiros de Rômulo raptaram as sabinas. Depois de muita luta, as sabinas concordaram em viver em paz com os romanos. Tácio, rei dos sabinos, dividiu o trono com Rômulo."

(Adaptado de Irene A. Machado. Leitura e Redação. São Paulo. Scipione, série didática Classes de Magistério, p. 101/102)
 
Fonte: Colégio Rainha da Paz


Posted at 05:13 pm by PataLogica
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Monday, September 08, 2003
Lenda Indiana Sobre a Criação da Mulher

"Diz a lenda que o Senhor, após criar o homem e não tendo nada sólido para construir a Mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais como timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a Mulher e a entregou ao homem como sua companheira.

Após uma semana, o homem voltou e disse:
- Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz. Ela fala sem cessar e me atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro...e assim as minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo e fica facilmente emburrada e, às
vezes, muito tempo ociosa. Vim devolvê-la porque não posso viver com ela.

Depois de uma semana o homem voltou ao Criador e disse:
- Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Eu sempre penso nela, em como ela dançava cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava e comigo e como se achegava a mim. Ela era agradável de se ver e de acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir. Por favor, me dê ela de volta.
- Está bem, disse o Criador. E a devolveu.

Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:
- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar mas, depois de toda esta minha experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe, tomá-la de novo! Não consigo viver com ela!

O Criador respondeu:
- Mas também não sabe viver sem ela. E virou as costas para o homem e continuou seu trabalho. O homem desesperado disse:
Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela.

E arremata o Criador:
- Achei que, com as tentativas, você já tivesse descoberto. Amor é um sentimento a ser aprendido. É tensão e satisfação. É desejo e hostilidade. É alegria e dor. Um não existe sem o  outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor. Isto é o que deve ser aprendido. O sofrimento também pertence
ao amor. Este é o grande mistério do amor. a sua própria beleza e o seu próprio fardo. Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá sempre que abdicar de alguma coisa para possuir ou ganhar uma outra coisa. Terá que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua felicidade. É como plantar uma árvore frente a uma janela...Ganha sombra, mas perde uma parte da paisagem. Troca o silêncio pelo gorgeio da passarada ao amanhecer. É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a enfrentar o aprendizado do AMOR."

(Lenda narrada pelo escritor amaricano Walter Trobisch, em seu livro "Amor, sentimento a ser aprendido")


Posted at 07:42 pm by PataLogica
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Eros e Psiquê

Psique era a mais nova de três filhas de um rei de Mileto e era extremamente bela. Sua beleza era tanta que pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite.

Profundamente ofendida e enciumada, Afrodite enviou seu filho, Eros, para fazê-la apaixonar-se pelo homem mais feio e vil de toda a terra. Porém, ao ver sua beleza, Eros apaixonou-se profundamente.
O pai de Psique, suspeitando que, inadvertidamente, havia ofendido os deuses, resolveu consultar o oráculo de Apolo, pois suas outras filhas encontraram maridos e, no entanto, Psique permanecia sozinha. Através desse oráculo, o próprio Eros ordenou ao rei que enviasse sua filha ao topo de uma solitária montanha, onde seria desposada por uma terrível serpente. A jovem aterrorizada foi levada ao pé do monte e abandonada por seu pesarosos parentes e amigos. Conformada com seu destino, Psique foi tomada por um profundo sono, sendo, então, conduzida pela brisa gentil de Zéfiro a um lindo vale.
Quando acordou, caminhou por entre as flores, até chegar a um castelo magnífico. Notou que lá deveria ser a morada de um deus, tal a perfeição que podia ver em cada um dos seus detalhes. Tomando coragem, entrou no deslumbrante palácio, onde todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz.

Chegando a escuridão, foi conduzida pelos criados a um quarto de dormir. Certa de ali encontraria finalmente o seu terrível esposo, começou a tremer quando sentiu que alguém entrara no quarto. No entanto, uma voz maravilhosa a acalmou. Logo em seguida, sentiu mãos humanas acariciarem seu corpo. A esse amante misterioso, ela se entregou.. Quando acordou, já havia chegado o dia e seu amante havia desaparecido. Porém essa mesma cena se repetiu por diversas noites.

Enquanto isso, suas irmãs continuavam a sua procura, mas seu esposo misterioso a alertou para não responder aos seus chamados. Psique sentindo-se solitária em seu castelo-prisão, implorava ao seu amante para deixá-la ver suas irmãs. Finalmente, ele aceitou, mas impôs a condição que, não importando o que suas irmãs dissessem, ela nunca tentaria conhecer sua verdadeira identidade.
Quando suas irmãs entraram no castelo e viram aquela abundância de beleza e maravilhas, foram tomadas de inveja. Notando que o esposo de Psique nunca aparecia, perguntaram maliciosamente sobre sua identidade. Embora advertida por seu esposo, Psique viu a dúvida e a curiosidade tomarem conta de seu ser, aguçadas pelos comentários de suas irmãs.


Seu esposo alertou-a que suas irmãs estavam tentando fazer com que ela olhasse seu rosto, mas se assim ela fizesse, ela nunca mais o veria novamente. Além disso, ele contou-lhe que ela estava grávida e se ela conseguisse manter o segredo ele seria divino, porém se ela falhasse, ele seria mortal.

Ao receber novamente suas irmãs, Psique contou-lhes que estava grávida, e que sua criança seria de origem divina. Suas irmãs ficaram ainda mais enciumadas com sua situação, pois além de todas aquelas riquezas, ela era a esposa de um lindo deus. Assim, trataram de convencer a jovem a olhar a identidade do esposo, pois se ele estava escondendo seu rosto era porque havia algo de errado com ele. Ele realmente deveria ser uma horrível serpente e não um deus maravilhoso.
Assustada com o que suas irmãs disseram, escondeu uma faca e uma lâmpada próximo a sua cama, decidida a conhecer a identidade de seu marido, e se ele fosse realmente um monstro terrível, matá-lo. Ela havia esquecido dos avisos de seu amante, de não dar ouvidos a suas irmãs.

A noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.
Enfeitiçada por sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o.

Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo:
- "Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido as ordens de minha mãe e te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos pareces preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita."

Quando se recompôs, notou que o lindo castelo a sua volta desaparecera, e que se encontrava bem próxima da casa de seus pais. Psique ficou inconsolável. Tentou suicidar-se atirando-se em um rio próximo, mas suas águas a trouxeram gentilmente para sua margem. Foi então alertada por Pan para esquecer o que se passou e procurar novamente ganhar o amor de Eros.
Por sua vez, quando suas irmãs souberam do acontecido, fingiram pesar, mas partiram então para o topo da montanha, pensando em conquistar o amor de Eros. Lá chegando, chamaram o vento Zéfiro, para que as sustentasse no ar e as levasse até Eros. Mas, Zéfiro desta vez não as ergueram no céu, e elas caíram no despenhadeiro, morrendo.

Psique, resolvida a reconquistar a confiança de Eros, saiu a sua procura por todos os lugares da terra, dia e noite, até que chegou a um templo no alto de uma montanha. Com esperança de lá encontrar o amado, entrou no templo e viu uma grande bagunça de grãos de trigo e cevada, ancinhos e foices espalhados por todo o recinto. Convencida que não devia negligenciar o culto a nenhuma divindade, pôs-se a arrumar aquela desordem, colocando cada coisa em seu lugar. Deméter, para quem aquele templo era destinado, ficou profundamente grata e disse-lhe:
- "Ó Psique, embora não possa livrá-la da ira de Afrodite, posso ensiná-la a fazê-lo com suas próprias forças: vá ao seu templo e renda a ela as homenagens que ela, como deusa, merece."
Afrodite, ao recebê-la em seu templo, não esconde sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal seu filho havia desobedecido suas ordens e agora ele se encontrava em um leito, recuperando-se da ferida por ela causada. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar sua morte.

Primeiramente, deveria, antes do anoitecer, separar uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Psique ficou assustada diante de tanto trabalho, porém uma formiga que estava próxima, ficou comovida com a tristeza da jovem e convocou seu exército a isolar cada uma das qualidades de grão.
Como 2ª tarefa, Afrodite ordenou que fosse até as margens de um rio onde ovelhas de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada carneiro. Psique estava disposta a cruzar o rio quando ouviu um junco dizer que não atravessasse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar sua lã. De outro modo, seria atacada e morta pelos carneiros. Assim feito, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte, atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.
Sua 3ª tarefa seria subir ao topo de uma alta montanha e trazer para Afrodite uma jarra cheia com um pouco da água escura que jorrava de seu cume. Dentre os perigos que Psique enfrentou, estava um dragão que guardava a fonte. Ela foi ajudada nessa tarefa por uma grande águia, que voou baixo próximo a fonte e encheu a jarra com a negra água.

Irada com o sucesso da jovem, Afrodite planejou uma última, porém fatal, tarefa. Psique deveria descer ao mundo inferior e pedir a Perséfone, que lhe desse um pouco de sua própria beleza, que deveria guardar em uma caixa. Desesperada, subiu ao topo de uma elevada torre e quis atirar-se, para assim poder alcançar o mundo subterrâneo. A torre porém murmurou instruções de como entrar em uma particular caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como driblar os diversos perigos da jornada, como passar pelo cão Cérbero e deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige, advertindo-a:
- "Quando Perséfone lhe der a caixa com sua beleza, toma o cuidado, maior que todas as outras coisas, de não olhar dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais."

Seguindo essas palavras, conseguiu chegar até Perséfone, que estava sentada imponente em seu trono e recebeu dela a caixa com o precioso tesouro. Tomada porém pela curiosidade em seu retorno, abriu a caixa para espiar. Ao invés de beleza havia apenas um sono terrível que dela se apossou.
Eros, curado de sua ferida, voou ao socorro de Psique e conseguiu colocar o sono novamente na caixa, salvando-a.
Lembrou-lhe novamente que sua curiosidade havia novamente sido sua grande falta, mas que agora podia apresentar-se à Afrodite e cumprir a tarefa.

Enquanto isso, Eros foi ao encontro de Zeus e implorou a ele que apaziguasse a ira de Afrodite e ratificasse o seu casamento com Psique. Atendendo seu pedido, o grande deus do Olimpo ordenou que Hermes conduzisse a jovem à assembléia dos deuses e a ela foi oferecida uma taça de ambrosia. Então com toda a cerimônia, Eros casou-se com Psique, e no devido tempo nasceu seu filho, chamado Voluptas (Prazer).

Fonte: Eros e Psique


Posted at 07:36 pm by PataLogica
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Sunday, September 07, 2003
A Espada de Dâmocles & Outros

A ESPADA DE DÂMOCLES, de Richard Westall (1812)O que o príncipe precisa saber para governar


O Senado está lançando o livro , textos com as lições sobre o exercício do poder de Isócrates, Platão,Kautilya, Maquiavel, Erasmo de Roterdã, Miguel de Cervantes, Mazarino, Maurício de Nassau, Sebastião César Meneses,D. Luis da Cunha, Marquês de Pombal, Frederico da Prússia e D. Pedro II. O Caderno de Sábado publica a introdução ao trabalho

Por Walter Costa Porto


Há governantes e governados. Mas há, também, os que, sob o poder do príncipe, tentam orientá-lo, moldar-lhe a conduta.

A referência ao príncipe logo lembra Maquiavel e seu texto tão famoso, padrão que identifica e delimita essa tarefa, por vezes não exitosa, de aconselhar os dirigentes.

Reúnem-se, aqui, alguns desses exemplos, de textos que se escreveram para a educação de chefes de governos. É rica a seara: há quem tenha contado cerca de mil livros da espécie, vindos à luz entre os séculos nono e o século 18.

Começa-se com um vitorioso, Isócrates. Em Fedro, Platão fala dele, pela voz de Sócrates:

“– Isócrates é jovem ainda, meu querido Fedro, sem embargo direi o que espero dele.”

E depois:

“– Parece-me que possui demasiado gênio para comparar sua eloqüência com a de Lísias e que sua natureza é mais generosa. Não me admiraria que, com o avançar dos anos, brilhe o gênero que cultiva até o ponto em que seus predecessores pareçam crianças a seu lado e que, pouco satisfeito de seus êxitos, se veja impulsionado até ocupações mais elevadas devido a divina inspiração.”

Isócrates, que, muito mais tarde, Milton, em um de seus sonetos, verá como “o velho eloqüente”, escreveu, ao que se crê em 376 a.C., ao seu ex-discípulo Nicolés, que assumira o trono de Salamina, na ilha de Chipre, recomendações. Grato, o novo rei lhe enviou sessenta talentos em ouro.

Sete das cartas de Platão, entre as 13 que nos ficaram dele, tratam de suas frustradas intervenções na política de Siracusa.

O filósofo fora, pela primeira vez, à Sicília, em 387 a.C., durante o reinado do Dionísio, o Velho. Deste Dionísio, restou-nos um retrato dramático, por Cícero, no livro V de suas Tusculanes, onde se relata o tão célebre caso de Dâmocles.

Dâmocles era um dos aduladores do tirano, que submetera Siracusa ao peso de um jugo intolerável. Felicitou ele, certa vez, Dionísio, pelo seu poder, por suas tropas, pelo brilho de sua corte, e a magnificência de seu palácio, dizendo que nenhum outro príncipe havia tão feliz.

Dionísio, então, lhe perguntou se não queria provar um pouco daquele fausto, colocando-se em seu lugar. E o fez reclinar-se, coroado, em um leito de ouro, sobre tapetes riquíssimos, com perfumes e incensos, junto a uma mesa com as mais finas iguarias, rodeado por um sem número e escravas solícitas.

Segundo Cícero, Dâmocles estava se imaginando o mais afortunado dos homens quando, em meio ao festim, percebeu, por sobre a cabeça, uma espada nua que Dionísio fizera pendurar ao teto, sustentada por uma simples crina de cavalo.

Os olhos do felizardo se turvaram, a coroa lhe caiu da cabeça, suas mãos nem ousaram tocar nos pratos. Pediu ao tirano a graça de sair logo dali, não desejando a felicidade àquele preço.

O breve incidente de Dâmocles permite uma reflexão sobre a natureza do poder político, de certo poder político. O que Dionísio pretendeu, com êxito, foi indicar, ao adulador ingênuo, que sua dominação estava exposta a muitos riscos. A espada suspensa ao teto, de maneira tão frágil, é um símbolo que resiste aos tempos, se bem que poucas vezes explicitado, em toda sua circunstância. Sempre expressão de mera retórica, a compor discursos e frases de efeito, nunca enfatiza, verdadeiramente, os perigos do mando sem legitimidade, que é dos dirigentes que não são amados, só temidos. E mais que temidos, odiados.

Pois no mesmo texto das Tusculanes, Cícero mostra como Dionísio, pelo temor de perder seu domínio injusto, havia se convertido em quase um prisioneiro em seu palácio. Confiando somente em alguns escravos, formando sua guarda de estrangeiros, ferozes e bárbaros. Levando tão longe sua desconfiança a ponto de fazer ensinar, às próprias filhas, ainda pequenas, o ofício de barbear, indigno, ao tempo, a pessoas livres. E não permitindo, quando cresceram, que nem mesmo elas se aproximassem dele com lâminas, passando, então, para barbear-se, a chamuscar os pêlos do rosto com nozes incandescentes.

Quando se desvestia para o jogo da pela, que apreciava muito, Dionísio não entregava sua espada senão a um jovem, seu favorito. Um de seus amigos, comentou, um dia, sorrindo: “Eis, afinal, uma pessoa a quem confia a vida.” Como o jovem sorriu, o tirano fez morrer os dois. Um, por haver indicado um meio de assassiná-lo. O outro, por parecer aprovar a sugestão com o sorriso.(1)

Foi má, para Platão, em 387 a.C., a impressão que teve da Sicília e do reinado de Dionísio. “Embriagar-se duas vezes ao dia, nunca se deitar sozinho à noite”, comentou. Tais estados, para ele, não cessariam jamais de caminhar sem sobressaltos, da tirania à oligarquia e à democracia.

Platão se entendeu, no entanto, admiravelmente, com o irmão de uma das mulheres do tirano, Dião, que o compreendeu melhor “do que todos os jovens com quem havia, até então, convivido”.

Depois da morte de Dionísio, o Velho, em 367 a.C., Dião convenceu o jovem Dionísio, que assumiu o trono, a convocar Platão: que o filósofo viesse com urgência, antes que outras influências se exercessem sobre o novo tirano, “conduzindo-o a uma existência diferente da vida perfeita”. Dionísio, o Jovem, terminou por acusar Dião de conspirar contra o regime e o expulsou de Siracusa.

Platão regressaria ainda uma última vez à Sicília, por insistência e clara chantagem de Dionísio:

“Se eu te convencer a vires agora à Sicília, em primeiro lugar os negócios de Dião serão regularizados como queres. Sei bem que só me farás pedidos razoáveis e eu me prestarei a eles. Se não, nada relativo a Dião, a seus negócios ou a sua pessoa, se arranjará a teu modo.”

Com o apoio de alguns gregos, Dião toma Siracusa mas é morto em 354 a.C., pelo ateniense Calipo. Aos amigos de Dião, Platão dirige pelo menos duas cartas, aconselhando-os a que formassem um governo de coalizão, com representantes das famílias em choque e, até mesmo, com Dionísio.

Admiram-se, até hoje, os platônicos, pelo fato de que o filósofo tenha teimado em esforços para converter, em um bom rei, um tirano irrecuperável. Mas Platão conta, em uma das cartas, como, desde jovem, tinha o projeto de, no dia em que pudesse dispor de si próprio, “intervir na política”. A Ditadura dos Trinta, em Atenas, porém, que ele pensara pudesse desviar a cidade “dos caminhos da injustiça para os da justiça”, logo fez com que lamentasse “os tempos da antiga ordem como uma idade de ouro”.

Ele viu, juntamente com a morte de Sócrates, a corrupção da legislação e o malogro da moralidade, a tal ponto, que, quanto mais avançava na idade, mais lhe parecia difícil bem administrar os negócios do estado.

A chave da motivação e da conduta de Platão, com respeito ao jovem Dionísio, está em uma das frases da carta aos amigos e parentes de Dião. Já que nunca haviam podido se realizar os seus planos legislativos e políticos, seria agora o momento de experimentar: “Não tinha senão que persuadir suficientemente um único homem e tudo estaria resolvido.”

Bem caberia falar de “os vários Maquiavéis”, tantas as interpretações, tantas as deformações, as acusações que vieram sendo acrescidas aos poucos livros do florentino, a ponto de se poder indagar se se discutem, afinal, os mesmos textos, a ponto de se duvidar que Maquiavel tenha, em estilo simples e direto, escrito uma obra não complexa.(2)

Permito-me uma recordação pessoal. Menino da Zona da Mata de Pernambuco, ouvi muitas vezes, com que alegria e encantamento, a Canção do Vilela. Eu a escutava recitada por violeiros, lidas nos cordéis, em feiras. E a reli, num desses dias, transcrita por Leonardo Mota.(3)

Vilela era um celerado,

“que morava em um lugar

e até o próprio governo

tinha medo de o cercar”.

Ele cometera o primeiro crime com a idade de dez anos . Aos doze, matou o próprio irmão, por causa de um cachimbo. Matou, depois, o cunhado, depois o filho de um padrinho. Em quase 80 estrofes, a cantiga fala de seus crimes, dos fracassos da polícia para contê-lo, dos batalhões enviados para capturá-lo. Até que um alferes, que chama Negreiros, se dispôs a enfrentá-lo. Quando, depois de muitas peripécias, o alferes chega à frente da casa do criminoso, diz:

“Vilela me abra a porta

deixe de machaveliça

conheça que tá cercado

pela tropa da puliça

no batalhão me acompanha

Oficial de Justiça.”

Só muito mais tarde eu iria perceber, relendo a cantiga, que machaveliça – ou macaveliça, como muitas vezes também ouvi – era maquiavelismo, procedimento astucioso, tão bem recebido em heróis como os das peças de Ariano Suassuna.

Os dicionários são mais rigorosos: falam do exercício de má-fé nos assuntos políticos. Veja-se, por exemplo, o Aurélio:

“MAQUIAVELISMO s.m. 1. Sistema político exposto por Nicollò Machiavelli, escritor e estadista florentino, em sua obra O Príncipe e caracterizado pelo princípio amoralista de que os fins justificam os meios. 2. Política desprovida de boa-fé. 3. Procedimento astucioso, velhaco, traiçoeiro, velhacaria, perfídia.”

Na linguagem comum ficou, também, a expressão “florentino”, com uma carga pejorativa: a “intriga florentina”, a “estocada florentina”, essas mais eficazes, mais letais.

Com Florença, rivalizavam, ao tempo de Maquiavel, entre outros, o Ducado de Milão, a República de Veneza, o reino de Nápoles. E muitos estados menores, como a República de Gênova, o Ducado de Ferrara, o Marquesado de Mântua, o Ducado de Urbino, as Repúblicas de Siena e de Luca. Mas só as intrigas de Florença ganharam, em razão de seu tão ilustre filho, essa marca insidiosa. Mas deveriam ser iguais às venezianas, às napolitanas, às milanesas. Toma-se, então, a cidade pelo seu habitante, o todo pela parte, lembrando aquela figura de gramática que aprendemos – e logo esquecemos – no ginásio.

Quanto aos eruditos, há uma tragédia maquiavelana, que faz lembrar uma frase de Malraux a de Gaulle, transcrita em livro genial, com as conversações do estadista, já afastado do governo, com seu ex-ministro da Cultura. Malraux diz que “pertencer à História é pertencer ao ódio”.

É frase que cabe, na medida certa, a Maquiavel. No Henrique IV, de Shakespeare, representado em 1690, ele já é tido por “mortífero”. Para Chevalier, ele teria escrito “um breviário da tirania”. Para Titone, ele tinha uma preferência mórbida pelos meios “mais cruéis e mais ímpios”. Se depender de Dante, ele está agora no Inferno, condenado às chamas que devem envolver os heréticos. Seu escrito, especialmente O Príncipe, seria, para Prezolijn e Haidn, “anticristão”. Sua obra, para Renzo Sereni, a de homem amargamente frustrado. Para os jesuítas, ele é “um sócio do diabo em crimes”. Segundo o cardeal inglês Pole, O Príncipe teria sido escrito “pela mão do diabo”. Para Bertrand Russell, ele seria o autor de “um compêndio para gângsters”; para Bodin, seria “um corruptor do Estado”, muito em voga entre “os bajuladores de tiranos” e para quem “a astúcia tirânica era o centro da ciência política”. E, para completar, chegaram a chamá-lo de “docteur de la scéleratesse”. Quer dizer, Maquiavel seria mais que um celerado, um PHD do crime .

Isso em razão de suas gestões à Igreja e a seus princípios, por sua defesa de uma política cruel, a da eficácia, e por seu tecnicismo frio, por sua integração, na verdade, ao mundo sórdido que o cercava.(4)

Todas as incriminações a Maquiavel formam sua lenda de ódio, que Cassirer contrapõe a uma lenda de veneração. Pois há os que o veneram.

Sobre ele, Fichte publicou, em 1807, um artigo com observações que, segundo dizia, se destinavam “a salvar a reputação de um homem justo”. E o via “com profundo discernimento das verdadeiras forças históricas que moldam os homens e transformam sua moralidade”. Alderísio o considera “um católico apaixonado e sincero”. Isaiah Berlin indica a obra de um compilador anônimo do século 19: Máximas Religiosas verdadeiramente Extraídas das Obras de Nicollò Machiavelli. Bacon reconhecia uma grande dívida para com ele, “um insigne realista recusando fantasias utópicas” e ‘‘que descreveu o que os homens fazem e não o que deveriam fazer”. Para Rousseau, ele, “fingindo dar lições aos reis, deu-as, grandes, aos povos”.

Para Herder, ele é um “maravilhoso espelho de seu tempo”. Para Hegel, ele era “um gênio que viu a necessidade de unir uma série de caóticos principados fracos e pequenos num todo coerente”. Para Koening, “um esteta tentando evadir-se do mundo caótico e sórdido da Itália decadente de seu tempo, para um sonho de arte pura”. Para Gramsci, ele era, acima de tudo, um inovador revolucionário, dirigindo suas setas contra a obsoleta aristocracia feudal, o papado e seus mercenários. O Príncipe seria um mito representando a ditadura das forças novas e progressistas, prevendo o papel vindouro das massas e a necessidade da emergência de novos líderes imbuídos do realismo político. Engels o vê como “um dos gigantes do iluminismo, um liberto do enfoque do pequeno burguês”. Para Marx, os Discursos seriam “verdadeiras obras-primas”. Vitório Alfieri fala, afinal, de um “divino Maquiavel”.

Que escreveu Maquiavel, que fez Maquiavel, para dar motivo a entendimentos tão desencontrados?

Redigiu o que sempre chamou de “opúsculo”, O Príncipe, no qual, como disse em carta a seu amigo Vettori,

“sondo, até onde posso, os problemas de tal matéria, discutindo o que é um principado, quantas classes existem, como são adquiridos, como se pode mantê-los, e porque são perdidos...

A um Príncipe, sobretudo se é um Príncipe novo, deve resultar aceitável.”

Fonte: Editoria JT


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